Funcionamento da audição e desenvolvimento psíquico

Por Carla Rigamonti, Diretora Clínica do Instituto Escuta

Na semana passada tivemos a primeira supervisão técnica do ano, com a psicanalista Julieta Jerusalinsky, e com ela veio a ideia de finalmente escrever sobre a importância da desenvolvimento psíquico para que, depois de colocar o implante, ele possa vir a ter alguma função e sentido na vida da criança.

Pois é. Por aqui nós acreditamos que o ato de fazer a cirurgia e colocar o implante não garantem que o funcionamento da audição se instale, ou seja, temos que cuidar de certas condições, entre elas a saúde mental da criança, para que o implante venha a se tornar um viabilizador da função de ouvir.

O desenvolvimento psíquico tem início antes do nascimento do bebê. É no desejo de um homem e/ou mulher ter um filho, em tudo o que se antecipa do futuro dessa criança, naquilo que se espera que ela realize ou que terminantemente não faça. Isso participa deste desenvolvimento porque, quando nasce o bebê, são essas ideias que são projetadas nele; é isso que se espera e se supõe dele. E assim, começa a se formar o espaço de troca, onde o cuidador pode também atentar para os sinais da criança e ir dando sentido, dando palavras, dando um contorno, para o que o bebê produz. É nas trocas de fralda, nos encontros e desencontros do mamar, nas idas e vindas durante a noite, que vai se construindo essa relação, a primeira do bebê, e condição fundamental para que ele se torne uma pessoa autônoma.

Sabemos que não são momentos simples: a maternidade não é dada, ela é construída entre uma mãe e um bebê. E a cada dúvida, pode aparecer uma angústia sobre estar fazendo certo ou não, sobre qual seria a melhor forma de fazer algo. Acrescento aqui a complexidade dessa relação quando ela é atravessada pelo diagnóstico da surdez: um “não saber” que seria natural na maternidade pode, por exemplo, se tornar paralisador e afetar a mãe em seu fazer espontâneo e natural. Nesse sentido é que pensamos num trabalho preventivo: não porque a surdez em si atrapalhe o desenvolvimento, mas porque ela entra como um fator importante na forma como as relações do bebê irão se constituir desde muito cedo.

Na saúde mental existe, inclusive, um debate sobre o aspecto contraditório do diagnóstico precoce, considerando os efeitos dessa notícia desde tão cedo no relacionamento entre a mãe e o bebê. Claro que se considera a importância da intervenção precoce em relação à privação auditiva e a plasticidade neurológica; mas não sem que se considere que as marcas e os caminhos do desenvolvimento psíquico são tão importantes quanto se queremos que a criança faça algo com os sons aos quais acaba por ter acesso pela via da audição.

O que esperamos de 2018

Começamos agora o nosso segundo ano estabelecidos como uma Organização da Sociedade Civil (OSC), mas seguimos buscando e desafiando o que conhecemos e como esperamos que nosso trabalho melhore e se expanda. Como diz Warren Estabrooks, terapeuta auditivo verbal, em suas famosas e riquíssimas palestras, nosso desafio deve sempre ser “raise the bar”, frase em inglês que expressa essa necessidade de sempre buscar o que MAIS a criança consegue fazer, de buscar sempre incentivá-la a dar o próximo passo.

Com a experiência dos últimos 6 anos, entre Programa Espaço Escuta e Instituto Escuta, nos perguntamos como podemos, aqui, “raise the bar”, dar os próximos passos para o nosso desenvolvimento e, consequentemente, para o das famílias que nos procuram. Esse é o nosso desafio do ano.

A fonoaudióloga fixa da equipe do Escuta, Bruna, irá começar a participar de uma formação em Terapia Auditivo Verbal, o que com certeza vai trazer benefícios para as famílias participantes do Instituto. Nossa ideia aqui é oferecer mais ferramentas e também seguir na nossa missão de empoderamento dos pais.

Quanto aos outros aspectos que compõe o nosso tripé de intervenção além da Fonoaudiologia, a Psicanálise e o Serviço Social, seguimos buscando aperfeiçoar nossas ferramentas e atentar para a importância desses fatores nos melhores resultados de comunicação e linguagem. A Carla, nossa diretora clínica, participa do “Projeto de pesquisa de validação e comparação de instrumentos de acompanhamento do desenvolvimento psíquico à luz da Psicanálise”, de onde continuará contribuindo para refletirmos sobre nossa intervenção com as famílias de crianças surdas. Além desse trabalho, também junto à USP manteremos nossa parceria com a Rede Clínica Laboratório Jacques Lacan, que tem oferecido a oportunidade de encaminhamentos acessíveis e de qualidade em saúde mental para os participantes do Escuta.

Nossa aposta nesse ano é, portanto, investir nossa energia em melhorar o que já fazemos. E queremos que mais pessoas conheçam o nosso trabalho e possam se beneficiar dos serviços que oferecemos. Apesar de acreditarmos no significado único e especial que o Escuta tem para cada família, entendemos que esse significado é fundamental na construção de um caminho que faça sentido e traga qualidade de vida para cada um. E queremos fazer isso por mais pessoas. Contamos muito com vocês, nossos apoiadores e parceiros, nessa jornada de 2018.

Um feliz ano para todos!

Equipe Instituto Escuta

 

Nossa Newsletter de Novembro 2017

O que nós fizemos em novembro 🙂

Olá para todos que nos acompanham pela newsletter!

No mês de novembro nós lançamos o nosso site. Agora vocês também podem encontrar informações sobre o Instituto Escuta por lá. Acessem: www.institutoescuta.org.br.

Foi também o mês do nosso último esquenta, comandado pelo Dr. Lucas Costa, que falou sobre o papel da tecnologia no nosso dia a dia e ressaltou a importância de lembrarmos sempre das necessidades singulares de cada um.

Nós recebemos uma visita super especial dos Clownáticos para um espetáculo de palhaços com as famílias. Todos se divertiram!

A nossa equipe fez visitas técnicas ao Centro de Educação para Surdos Rio Branco, unidades Higienópolis e Granja Viana. Também participamos da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT) na Politec.

Nossos encontros semanais do Projeto de Intervenção já estão encerrados e nós começamos a receber novas famílias para o Projeto de Intervenção 2018! Quer participar? Ainda dá tempo. Fale conosco pelo e-mail contato@institutoescuta.org.

Como Organização da Sociedade Civil continuamos em busca de parceiros e formas de financiamento. Quer ajudar como pessoa física ou jurídica? Fale com a gente: contato@institutoescuta.org.