Nossas rodas de conversa

Por Marianni Costa

Pertencer, fazer parte, participar de algum grupo é algo fundamental e muito importante na vida de qualquer pessoa, independente da fase ou situação que esteja vivendo. Aqui no Escuta, a cada encontro que promovemos, assistimos e participamos, vemos que, para as famílias que estão conosco, não é diferente.

É como se o caminho que estão percorrendo e os desafios que certamente virão se tornassem mais leves. Compartilhar momentos e experiências relacionados a todo o processo – do diagnóstico a todo o período de intervenção, dos sentimentos receosos às conquistas concretas ou frustrações indesejáveis – com outras famílias que já viveram, estão vivendo ou que viverão momentos semelhantes, não os deixam sentirem-se únicos e solitários.

Os encontros e as trocas ajudam a desmistificar e amenizar culpas, fracassos, rigidez, entre outros sentimentos e pensamentos que sempre surgem. O compartilhar de experiências fortalece as famílias mutuamente, além de favorecer o aparecimento da empatia e solidariedade.

Diversos estudos mostram que, para que algo seja aprendido com mais facilidade, é necessário que o afeto esteja envolvido. É preciso emocionar, tocar as pessoas e é isso o que acontece nos nossos grupos. Os pais são tocados, dividem as alegrias, as incertezas, as dúvidas e as tristezas, contando suas experiências. As vivências relatadas não são exclusivamente sobre a surdez, aparelhos auditivos e implante coclear. Tem muito assunto: sono, fralda, alimentação, brincadeiras, comportamento das crianças e como lidar com ele.

De vez em quando, também aparecem umas trocas de receitas, umas piadinhas, algumas curiosidades sobre temas inusitados, músicas e muito mais. É claro que dicas de como fazer para que algo funcione melhor com relação à perda de audição das crianças é o que mais faz sucesso entre as famílias: como prender o dispositivo para não cair da orelha toda hora, duração de pilha, desumidificador, acessórios que gostam de usar, como fazer com o plano de saúde para cobrir as sessões e por aí vai… As famílias dividem angústias, pedem orientação para os profissionais do grupo e para outras famílias que também compartilham seus erros e acertos.

Desde março desse ano, nossos encontros acontecem virtualmente e nós do Escuta apresentamos um pouco de teoria sobre um tema que consideramos interessante para o grupo ou que o próprio grupo sugere. Fica evidente que, durante a discussão das informações apresentadas, a exposição de uma vivência relacionada ao tema por algum integrante do grupo enriquece muito o encontro, fornece mais sentido ao conteúdo apresentado e gere mais resultados no que diz respeito à compreensão do que foi conversado.

Por aqui, aprende-se muito com cada família, com cada história, com cada dúvida, com cada choro e com cada sorriso que aparecem nos nossos grupinhos!!!

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