#SetembroEmTodosOsTonsDeAzul: a iniciativa da Associação Nacional dos Surdos Oralizados

Por ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS SURDOS ORALIZADOS – ANASO

A ANASO foi criada em 22 de julho de 2019, contando com a parceria das seguintes Associações: AMADA de Manaus, ADEIPA do Pará e APASOD do Espírito Santo. A Associação Nacional dos Surdos Oralizados é uma sociedade sem fins lucrativos que tem como missão a promoção da conscientização sobre a deficiência auditiva e a divulgação dos surdos oralizados, suas especificidades e necessidades.

Desde sua fundação a ANASO, através de ações junto a órgãos governamentais e em publicações em suas redes sociais, tem mostrado o quanto se faz necessário mostrar que os campos de (re) habilitação da surdez, bem como as áreas de educação e cultura, com a evolução cientifica e tecnológica, evoluíram e profundas mudanças aconteceram.

Hoje, graças as tecnologias auditivas, é possível o surdo ouvir e ter como forma de comunicação a oralidade, fato desconhecido pela maioria da sociedade que tem a visão de que todo surdo é incapaz de ouvir, mesmo com uso de tecnologia e se comunica somente pela Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Atualmente, há dois Projetos de Lei, um proveniente do Senador Romário e outro proveniente da Senadora Zenaide que, devido a forma como foram escritos, dão margem para uma possível má interpretação, ferindo o direito de escolha do surdo oralizado e sua existência na educação entre outros setores.

Sendo a educação a principal bandeira da ANASO, lutamos pela criação de diretrizes educacionais especificas para estudantes surdos oralizados, que não envolve Libras. O que não significa sermos contra, apenas optamos por um atendimento educacional diferente. Para estes, o trabalho é multiprofissional, ou seja, realizado entre professores, psicopedagogos, fonoaudiólogos e com a participação efetiva da família para que se desenvolva um plano educacional individual que atenda as especificidades da criança, algo que já é previsto pela Lei Brasileira de Inclusão.

Também faz-se necessário que o MEC disponibilize a capacitação de professores à cerca dos recursos tecnológicos de apoio em sala de aula, como o sistema FM. Hoje quando uma família chega a escola com sua criança surda, muitas vezes em processo ou já oralizada, as escolas oferecem somente o atendimento em Libras, que se limita a presença de um interprete em sala de aula. Ao informar que a criança não tem contato com a língua de sinais, que é oralizada, que usa aparelho auditivo, a escola entende que não há necessidade de adaptações, mesmo porque não recebem nenhum tipo de orientação e, essa criança é vista como sendo ouvinte.

E esse olhar reducionista, de que a criança aprende através da Libras ou aprende igualmente a seus pares ouvintes, é a raiz do problema. Porque a partir do momento em que o processo de inclusão escolar fica aquém do esperado, a culpa sempre recai sobre a família, ou seja, pelo não uso da língua de sinais e não pela falta de metodologias adequadas e especificas para as crianças surdas oralizadas e usuárias de tecnologias auditivas.

Desta forma, esbarramos mais uma vez no olhar sociocultural em que se dissemina a ideia de que a criança surda somente aprende com a língua de sinais, que essa é sua única forma de comunicação e opção de caminho educacional! E foi nesse quadro onde vemos a inexistência social de um olhar pelo surdo oralizado, que ganhamos duas aliadas de peso! A comunicadora, escritora e palestrante Lak Lobato, criadora do blog “Desculpe, não ouvi” e a cientista social, escritora e palestrante Paula Pfifer, criadora do blog “Crônicas da Surdez”. Que assim como nós, lutam para mudar essa visão parcial e simplista sobre a surdez e que possuem grande representatividade!

E foi unindo forças por um bem comum, que surgiu a campanha “Setembro em Todos os Tons de Azul”, porque precisamos de um olhar diferenciado e democrático do Poder Público e da sociedade em geral acerca da existência, necessidades de acessibilidade, inclusão, direito de escolha e, sobretudo no contexto sociocultural, pois nem todo surdo fala em Libras ou pertence à comunidade surda sinalizada.

Com o objetivo de mostrar as múltiplas facetas da comunidade surda que vai muito além da Libras. Com Lak, Paula e um time de pessoas com mentes brilhantes contribuindo com sugestões e ideias para a produção de posts e vídeos informativos e a ANASO e suas associações parceiras contribuindo na divulgação, a campanha está nas redes sociais conquistando e marcando presença neste mês em que se comemora as conquistas das pessoas com deficiência auditiva.

Acreditamos que o mês de setembro será um marco para todos nós! Estamos focados em mostrar que o surdo oralizado também tem o direito de celebrar suas conquistas! São pessoas que buscam superar as barreiras impostas pela sociedade em que vivem. Que lutam pelo direito de existirem e serem o que desejarem, sem amarras ideológicas!

Os surdos oralizados não querem sobre si um olhar capacitista. Eles são mais que uma deficiência! São pessoas como qualquer um, com limitações (e quem não tem?), mas que encontraram na tecnologia um meio para desenvolver todo seu potencial e provar para si e para todos que quando aberta a porta da oportunidade, eles são capazes de realizar qualquer coisa com PERFEIÇÃO! Viva a diversidade! Viva a liberdade! Viva ao Setembro em Todos os Tons de Azul!

 

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